O Cícero

"Nunca estou mais acompanhado do que quando estou sozinho"
Marcus Tullius Cicero (Arpino, Italia, 3 de Janeiro 106 a.C. - Formies, 7 de Dezembro 43 a.C.).
Filósofo, orador, escritor, advogado e político romano.

Monday, October 30, 2006

Tu assim...

Tu...
que vens da fonte nascente de um rio.
Que vês no escuro a luz do alívio,
em longos alcances da minha vaidade
desejam-te os olhos que o amor invade.

Assim...
Esperam-te histórias e contos de fadas.
Espreitam-te luzes, brinquedos e fraldas.
Serás apelo de esperança e virtude,
olhar presente, energia e juventude.



Tu...
chegarás terno em doce destino.
Caminharás forte, nobre e genuíno.
A rua que escolheres será tua!
Dar-te-ei escudo, espada e ternura.

Assim...
Serás a vida de outras vidas,
De todas aquelas bem-vindas!
Vens pequeno, mas em grande...
Te chamaremos Alexandre!!!

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Wednesday, September 13, 2006

A Tua Gruta

Palavras tuas, devaneios teus,
qual gruta escura,
que anseia a pedra ruir.
No chão amargo, húmido, discreto,
esperas longe, no velho túnel,
olhas inerte a luz a sorrir.

Cantas palavras de rubro,
em timbre grave de solidão.
Percebe tu, amiga nua,
que só os passos contam,
na rua da imaginação.

Não é destino, nem paragem.
Não é passagem, nem retiro.
Passos são os que entendem
o caminho que tomamos,
e as escolhas que bebemos.

Eu cá, amiga nua,
não preciso de motivos,
não preciso de razões.
Vou onde me sinto estar,
estou onde me leva o calçado.
Fujo e avanço quando preciso,
volto a trás, se for caso disso.

Vamos! Vamos lá!
Nasce de novo, amiga nua,
sai de tua gruta, escondida, segura...

Vem pensar sorrisos.
Vem amar de sol ao peito.
Vem contar-nos a história,
de escuro outrora vestida,
que por reparo de ligeiro passo,
rumou de negro, por pouco tempo...

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Thursday, March 23, 2006

Agora sei...

Fases discretas de uma lua sem nome
...raros momentos de realidade passiva.
Agora sou aquilo que queriam
...agora não sou ninguém.

Caminhos juntos à margem da longitude
...longe de complexos irreais.
Agora sou um anjo
...agora sou o diabo.

Ninguém ganha sem nome certo
...sem descobrir as entranhas do mundo.
Agora sonho calado
...agora vivo só morto.

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Sunday, March 19, 2006

O homem dos livros

O homem dos livros jura por mim.
Tenho no todo o meu destino e no nada a tradição.
... ele empurra as juras de medo.
Enfrenta-me.
Jura sempre por mim.

No recanto sórdido da solidão, ele jura sempre por mim.
Qual sombra do meu destino
Qual pátria sem bandeira
Quais juras?

Juntos e ao distante. Esconde.
... eu e o homem dos livros.

Erudito plano de alucinação.
Erudito prazer que chega... sempre.
A visão é minha... mas a obra é dele.

Alucino.
A história repete-se num ciclo concreto... preciso.

O homem dos livros não dá tréguas.

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Friday, March 17, 2006

O meu Sol

Sobre o sol digo o que sinto: um calor, um alívio.
Ondas imóveis ao vento, luz quente no tempo trívio

Clareias caminhos outrora cinzentos.
Nasceste no vácuo dos temperamentos.
Submetes as trevas ao calor das manhãs,
Acordas sentidos, cristãos e pagãs.

Celebras esperanças, aniversários, comícios e tradições.
Vences atletas, políticos, poetas e contradições.
Secas a pele de quem – em vão – te jura mais.
Alimentas as folhas, as flores e o pelo dos animais.

Morres e nasces todos os dias!
Só porque vives, és um Messias.

Compêndio de saberes eternos, qual chama maternal,
Os teus encantos são paternos e teu amor universal.

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Devaneios

Vejo-te na sombra dos poemas,
«um jardim de segredos e dilemas».
Vejo-te escura no claro encanto,
do manto terno de uma aventura.

A estrada é tua e o viajante sonha.
Devaneio solto, feito mendigo.
«hoje foste minha musa».
Escrevo coisas que nunca digo.

A culpa é tua, louco devaneio…
Escreves sentidos em breves ondas
Navegas a vírgula na minha inspiração.

Procurei sabores por terras áridas.
Encontrei letras de página escura.
Descobri-te, qual alimento,
aqui me confesso: não tenho cura.

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Friday, March 10, 2006

À minha volta

Jogo o jogo do tempo.
Encontro tão só no descrente
o segredo do secreto vento,
hoje nascido e sem ventre.

Algures há ouro e prata,
em minas de eternos encantos.
Augúrios da mente que é fraca,
dormindo sonho entre recantos.

Já hoje digo e juro um adeus.
Estou perto de tudo e do nada.
Rezo sem trunfo nem deus,
vejo o que passa na estrada.

Olho o que sinto ou descrevo,
«são almas sem razões ou histórias».
O que dizem aqueles a quem escrevo?
Narram motivos sem mais glórias.

Sei que não vale a pena,
cantar no vácuo do segredo.
Agora vejo bem claro,
o poema escuro e sem medo.

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Monday, March 06, 2006

Chelas

Selas os sonhos de quem por teus caminhos passa.
Escondes recantos,
e segredas entre fumos teus plenos encantos.

(Chelas: novos budistas, discípulos de guru)

Selas teus filhos entre ruas e sombras
Rompes sentidos,
e juras refúgio a todos as honras.

(Chelas: tecido africano, feito de algodão)

Gelas, por teu destino, o rio que já não tinha ponte,
nem nascente, não tinha nem mar.
Chelas é bairro vivido onde o vício anda no ar.

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Friday, March 03, 2006

O Regresso

No passo do passado o futuro se apresenta.
Faço o que o santo não deixa.
Corro em regalo, por uma paisagem.
Em cima de entranhas e descrenças sem queixa

Destemido é, perdido também.
Sem augúrio nem escada.
Diz tudo sem ver ninguém.
O destino será, não tarda.

Chegou a vez de perder.
Olhos no tempo da morte.
Amanhã serei de novo.
A colheita do sol e a vinha da sorte.

Assim escolhi, não ser.
De novo perdi, sem ver.
Hoje é o adeus e amanhã o regresso.

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Monday, February 27, 2006

O meu sou

Sou tempo que o mundo criou.
Sou chuva que tudo secou.
Sou espanto submerso no espantalho segredo,
de um deleito materno que ocupa o enredo.


Sou alma, corpo, homem e mente.
Sou espanto, glória e derrota consequente.
Sou eterno, louco e devaneio manso,
na razão descrente do morto balanço.


Sou seguro de insegurança.
Sou fundador da esperança.
Sou chapuz de chaparral queimado,
Grima e espanto, me julgo amado.


Sou eterno trecho de vida virada.
Sou lugar comum de longa cruzada.
Sou, conforme o que sou,
Um chegar, que ao longe passou.


Sou hoje e o ontem avessado.
Sou longe, perto e cansado.
Sou escolha de culto vazio,
Memória de prata que a vida pariu.


Sou engano e história desmentida.
Sou retrato retratado de fugida.
Sou desmaio que desmaia o medo,
Estranho escavado, do tempo segredo.

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Prisioneiro

A meias dizemos: meu amigo!
Vem comigo viver no escuro.
Vem dizer-me como é a lua,
O ventre quente da mulher nua,
De onde me vi e nasci.


A minha prisão é igual à tua.
Amigo prisioneiro!
é escura, imunda, confusa,
Inocente, como a tua.


Nossos espaços são fronteiras.
(mais fronteiras do que espaços)
Somos fieis prisioneiros e palhaços,
Ouvimos ricos e pobres aplausos,
...gargalhadas nas fileiras.


Por ora sei que és meu amigo.
Amigo prisioneiro!
Nossos sonhos ficam de fora.
Somos juízes que o negro decora,
...coveiros... um jazigo!


A meias dizemos: meu amigo!
Olha que o tempo não está contigo.
Estamos presos ao baluarte,
que em nós existe, e em toda a parte,
...miséria... um abrigo.


Aqui o tempo não conta.
Amigo prisioneiro!
Aqui a história não passa.
Somos amigos da desgraça,
...quase tudo... e nada.



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Sunday, February 26, 2006

Instante

Um breve momento, um olhar passageiro.
A espinha arrepia na exacta medida da indecisão,
e desagua na tentação do caminho.
O momento é estranho, contudo claro na emoção.

O teu corpo espanta, envolve.
Os teus olhos imergem do planalto dos deuses.
Resumem, em todos os momentos,
o tempo e o espaço da imaginação.

De um sorriso já mais visto nasceu a coragem.
Estivera perdida na cadência do ensejo,
como se a pátria de um destino fosse outrora devassa,
e a razão da memória deixasse de existir.

Contigo sou eu, sou único, sou puro e ideal.

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